Há alguns dias, em quarentena decorrente do distanciamento social, Deus tem ministrado a meu coração sobre a importância de arrumar uma mesa, ao declarar que o ato era profético.

Confesso que eu demorei a entender quanto ao que Ele pretendia ministrar através desse tema.

No entanto, tenho plena convicção da causa de ter sido escolhida para escrever sobre isso.

Além do objetivo de falar primeiro comigo, foi também porque eu amo adornar uma mesa, seja para meu café da manhã sozinha, seja para receber amigos ou familiares, e acredito que tenho até inspirado alguns a meu redor com esse ato.

Também suponho que foi por conviver com os dois tipos de pessoas, aquelas que gostam como eu, e investem até em assessórios para deixar as mesas mais bonitas e criativas, e aquelas que sentam nelas de maneira bem esporádica para fazer suas refeições, ou usa como um apoio somente quando precisam, e quando decidem arrumá-las, não depositam a devida importância que elas tem.

Mas, qual a razão desse meu prazer? Será que foi somente uma influência de outros parentes, e me torno produto do meio, ou seria por que sempre esteve escondido dentro de mim que uma mesa adornada traz um mistério? Seria um dom? As respostas ainda não eram tão claras, porém o fato de Deus me despertar para pesquisar sobre essa palavra na Bíblia, me levou a crer que existe sim uma chave muito preciosa que destravará portas antes desconhecidas, seja na nossa personalidade, seja em nossa intimidade com Ele.

Que mesa é um lugar sagrado, isso já sabemos.

Foi nela que Jesus reuniu seus discípulos para realizar a Ceia, e revelar um lugar para poucos e para os íntimos.

Mas também, foi um ambiente de oportunidades, pois até mesmo ao traidor lhe foi dado um assento.

Para a cultura judaica, dado observado na minha experiência das viagens a Israel e em filmes onde esse povo era o protagonista, a mesa é um altar, ambiente de reunião familiar, onde nos servimos, comungamos e principalmente, somos discipulados.

Vejo que todos esses atos judeus são impressos nos hábitos que eles têm em orarem antes da refeição, na cortesia de repassar um alimento, no repartir do pão e no encher da taça de alguém com vinho.

Para os amantes desses encontros, o ápice da alegria é atingido apenas no fato de estarem juntos (Sua mulher será como videira frutífera em sua casa; seus filhos serão como brotos de oliveira ao redor da sua mesa – Salmo 128:3).

Além disso, encontrei na Palavra, que a mesa é um objeto de ofertas, holocaustos e sacrifícios pelo pecado e pela culpa:“De cada lado desse pórtico havia duas mesas onde os animais para os sacrifícios eram abatidos para os holocaustos, as ofertas pelo pecado e as ofertas pela culpa”.

(Ezequiel 40:39)Sinto um poder enorme em uma mesa ornamentada, bonita, criativa e apetitosa.

Além deencher nossos olhos, e arrancar suspiros e elogios, elas nos dão momentos de enorme deleite.

Em êxodo 25:23-24, Deus ordenou que Moises construísse uma mesa de acácia toda revestida de ouro, dentre outros detalhes, que serviriam para o apoio do pão da proposição ou pão da presença (Êxodo 25:30).

Percebam que houve um direcionamento divino de como preparar aquela mesa, pois não poderia ser usada sem que antes aquelas particularidades existissem.

O primeiro ensinamento que posso observar, é que a mesa teve seus elementos próprios.

A acácia, que é uma árvore de folhas verdes e macias, mas com espinhos pontiagudos, e o ouro que é o objeto mais puro, e para chegar a esse nível, precisou passar pelo processo de remoção das pedrinhas, e de refinaria no fogo.

Se veja nessa mesa, que apesar de espinhosa, foi chamada para compor aquela estrutura.

Outro ensinamento que posso destacar é quanto as folhas verdes e macias da acácia, que na tipologia significa ministério.

Então, um ministério, antes de receber as taças de cristais (pessoas fragilizadas), o vinho (a alegria), a comida (a palavra), as jarras de água (Jesus enquanto água viva), a prataria (riquezas e mistérios dos céus), a comunhão (no reunir-se), as ofertas (gratidão) e os sacrifícios (as renúncias), teve que passar pelo processo do fogo e da remoção das impurezas para só então revestir e proteger aquele adorno de apoio.

Após, a presença, representada pelo pão da proposição, seria ali depositado.

“E de ouro puro fez os utensílios para a mesa: seus pratos e recipientes para incenso, as tigelas e as bacias nas quais se derramam as ofertas de bebidas” (Êxodo 37:16).

Mais um ponto que acredito veementemente é que arrumar uma mesa é um ato de amor e de cuidado.

Prestem atenção: nela apresentamos o que temos de melhor em casa.

E por que não investir? Alguns podem até justificar que não sabem fazer uma coisa bonita, ou que não tem dinheiro para gastar com isso.

Quanto à mesa no sentido física, temos duas opções: continuarmos escondidos em meras desculpas, ou usarmos as ferramentas que temos em casa a nosso favor e ativar a nossa criatividade.

A internet é um desses auxílios poderosos para isso, e existem inúmeros sites que podem nos destravar nessas áreas de zelo e honra com sua mesa, mas acima de tudo, com sua família e amigos.

E quanto a mesa no sentido espiritual, sugiro um relacionamento com Deus, posto que Ele tem expectativas a nosso respeito, e gostaria que fossem cumpridas em sua plenitude.

Por tudo isso, e por muito mais, a mesa não é mero objeto de adorno e enfeitá-la, não é um ato de futilidade, como talvez muitos creiam.

É um ato profético de cura e de restauração, de presença de Deus, de zelo e de amor, e acima de tudo é uma revelação de como estamos construindo o projeto que Deus nos confiou.

Por isso, ela não pode ser uma região suja (Isaías 28:8), nem vazia (2 Crônicas 4:8), nem desarrumada (exalta sua oferta), e nem para cambiadores negociarem (Mateus 11:15).

Não distrate suas mesas, construa a marca da sua casa e do seu ministério bem-sucedido através delas, em um ato profético, arrumando-as, para receber a porção da terra e a do céu.